terça-feira, 20 de outubro de 2009

Um soneto para os Cobras com Asas

Oi,

Um grande amigo doutor em literarura, o Érico Braga, escreveu isso para mim e não resisti de supresa e encanto. Pedi para publicar. Ele consentiu. Segue o texto sem cortes:

"Estou aqui pensando no seu “cobra tinha asas”, que é um decassílabo heróico (acentuação em 6 e 10 – com provisório em 2); você nunca percebeu? É um heróico perfeito. Tem saído algo no seguinte ritmo (e heróico quase perfeito 2-6-10):


No tempo em que cobra tinha asas
ninguém tinha pescoço ou calcanhar
de casca de tatu eram as casas
e todo mundo via com radar

No tempo em que cobra tinha asas
rasteiro e caramujo era o andar
havia não-veneno até pra brasa
banguela era qualquer ser a voar

e ainda são bicudos quão banguelas
Que tanto horror de tantas outras cores
existem competindo e doem?... Mas

as cobras, são tão más? Elas são elas
Havia, certo, coisas bem piores
no tempo em que cobra tinha asas.
"

jeanne maz

Um comentário: